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Coluna no foco do Farol


A hora da mudança

Por Lídia Arnaud


Há alguns anos, conversava com amigas em uma mesa de bar e, no clima de descontração, utilizei uma expressão que tinha aprendido durante a graduação e que repetíamos entre nós, colegas de curso, com naturalidade. Naquela mesa, ao pronunciar a expressão, a reação de uma das amigas, que até então nunca tinha reivindicado a sua negritude em minha presença, me fez perceber que estava utilizando uma expressão racista e naquele momento se autodeclarou negra. Eu não sou racista e ela sabia disso, até porque já tínhamos, inclusive, conversado sobre alguns autores que discutiam o racismo no Brasil e a importância de outros teóricos que chegavam para atualizar o debate a respeito. Aquele evento foi de absoluta importância para mim. A partir dele, assustada, me dei conta de como o racismo estava incorporado na minha linguagem e nas piadas que eu tinha aprendido a contar. E ele estava marcado em mim porque estava ( e continua) inscrito antes na sociedade brasileira.


Nas primeiras páginas do livro Faça acontecer: mulheres, trabalho e a vontade de liderar, a alta executiva do Facebook Sheryl Sandberg relata a sua experiência de grávida como diretora dos grupos de operações e vendas online do Google. Ela se pergunta como nunca tinha pensado sobre a importância de vagas de estacionamento para grávidas antes que ela própria precisasse andar grandes distâncias, com os pés inchados e os quase 32 quilos a mais que a gestação lhe trouxera. Se pergunta se não era obrigação dela, como mulher, ter pensado em outras mulheres e pontua a importância de uma mulher em cargo de chefia, nesse sentido pensando na representatividade. Este é apenas um dos exemplos que a autora utiliza para tratar do tema do livro: mulheres e liderança.


Outro dia conversava com uma conselheira de carreira e ela comentou - ocultando a identidade, obviamente - sobre um profissional que ela atendeu e tinha seguido uma carreira com a qual não se identificava e só após algumas sessões conseguiram perceber que a profissão escolhida oferecia um status que atenuava o estigma da homossexualidade para a sua familia e seus amigos. Ser bem sucedido naquela profissão, ainda que não trouxesse realização, trazia a possibilidade de obscurecer a sua orientação sexual e, consequentemente, apaziguar o preconceito que sofria.


Você que chegou até este parágrafo deve estar pensando que os três anteriores são desconexos ou se perguntando o que eles têm em comum. São três situações que nos lembram da diversidade que nos cerca. Não vou usar estas linhas para retomar a história da formação do Brasil e como ele foi construído a partir da diversidade. Gostaria de utilizá-las para lembrar que esta diversidade faz parte do que somos e, consequentemente, está no mercado de trabalho também. Não por acaso, cresce o número de empresas que oferecem treinamento de diversidade para seus colaboradores e que especialista em diversidade e inclusão é uma profissão que ganha visibilidade.


O mundo mudou. Mudou nos aspectos tecnológico e econômico, mas estas mudanças não estão descoladas do social. Se atualmente a sobrevivência de uma empresa depende de sua capacidade de inovação e da renovação dos modelos de negócio, há também especialistas afirmando que as empresas que não se preocupam com a diversidade e a inclusão estão fadadas a desaparecer. Há ainda pesquisas mostrando que as empresas preocupadas com diversidade e inclusão têm aumentado o retorno financeiro.


Como pessoas e como profissionais somos chamados a rever os nossos comportamentos e os nossos repertórios. Dentro e fora da empresa, não é possível ignorar o chamado. Cada empresa abordará a questão a partir de sua cultura organizacional e de maneira processual. Quanto a nós, indivíduos e profissionais, não precisamos esperar pelas empresas, a hora de implementar a mudança é agora. Aliás, a hora já passou.


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