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Preterido em uma Promoção


Provavelmente você, como todos nós, busca ser aceito, reconhecido e recompensado pelo meio social e profissional, aonde vive e atua. Ser promovido é sempre uma indicação clara da aceitação, e uma demonstração explícita de reconhecimento e recompensa. Ser aceito no grupo familiar, social, é relativamente simples, pois os critérios são conhecidos. Na vida profissional fica mais complicado.


Os critérios de avaliação não são tão bem definidos. Os critérios de avaliação vão se alterando ao longo da vida. Quando se é criança, na vida familiar, a avaliação é baseada em valores afetivos e emocionais. Podemos nos indispor com pai, mãe, irmãos, mas eles sempre terão amor e carinho por nós. Na escola a avalição é predominantemente baseada em critérios objetivos e racionais. Se acertarmos oito das dez questões propostas em uma prova nossa nota será oito, e seremos aprovados, independente de sermos amados ou não pelo professor avaliador.


Nas empresas há uma junção de vários critérios e com isso não fica fácil de saber qual é o fator preponderante. Critérios objetivos, como entrega de resultados, são importantes, mas, nem sempre aquele que mais entrega é o promovido. Critérios afetivos tem um peso considerável, mas nem sempre aquele que age e se comporta de forma adequada é o promovido. Critérios “políticos” e de relacionamento são básicos, mas nem sempre o “amigo do rei” é quem assume a chefia.


Enfim, nas empresas o que se tem é uma mistura tão grande de fatores diversos que fica praticamente impossível de se saber qual o critério de avaliação. Isto é angustiante. O ser humano precisa se sentir aceito e escolhido e a melhor forma dele perceber essa aceitação é pela indicação clara e pública de um reconhecimento, através de uma recompensa e promoção.


No seu caso você não se sentiu reconhecido e, aparentemente, não aceita os critérios de escolha que foram e estão sendo usados para definir quem faz o que. A antiguidade, o “tempo de casa”, apesar de poder até ser considerada como critério importante de promoção, normalmente não é utilizado como critério de escolhas de pessoas para realizarem tarefas complexas ou ocuparem cargos importantes. Em geral, os “chefes” optam por escolher pessoas muito mais pela confiança que depositam nelas.


Confiança é um dos mais fortes componentes da avaliação e da aceitação. Obter a confiança da pessoa a quem se quer convencer nos coloca em uma situação privilegiada. A confiança de uma pessoa é conquistada por meio das ações praticadas, mas também pela aparência, linguagem, comportamento, pelas crenças em comum, percepções, tradições, mitos, cultura, etc.


Conquistar confiança demora muito tempo, mas pode acabar com apenas uma experiência negativa. E, não tenha dúvida, recuperar a confiança de alguém é muito mais difícil que conquista-la pela primeira vez. Sendo assim, sempre busque justificar de forma transparente o que você está fazendo. Quanto mais verdadeiro e genuíno for sua forma de ser e de atuar, maiores serão as chances de confiarem em você. Por outro lado, seria importante você ir além de apenas reclamar das escolhas, mesmo que de maneira delicada. Seria importante descobrir as razões e os porquês de você não estar sendo escolhido e indicado. Busque feedback.


Procure saber o porquê seu chefe não confia em você. Faça uma auto avaliação, um balanço de suas competências e atitudes. Procure avaliar também os outros, os que foram escolhidos, sobretudo pelos os resultados conseguidos por eles. Chefes, assim como você, sabem que realizar com sucesso tarefas estratégicas e importantes, é fundamental para a ascensão na carreira deles. Eles também querem ser bem avaliados e fazer carreira, ter sucesso. Ninguém quer errar.


Aliás, existe, hoje em dia, um conceito muito forte, quase dogmático, segundo o qual, ter sucesso na carreira é conquistar ascensão hierárquica, ter cargo de chefia e ganhar mais dinheiro. É isto que tem feito a cabeça de boa parte dos profissionais, que acabam transformando este conceito em meta e objetivo de vida e passam a buscar por cargos e salários. Gerenciar a própria carreira é caminhar numa faixa estreita entre a obsolescência e o esgotamento (burn out).


De qualquer forma, é claro que quem não avança, anda para trás. Não se pode mesmo ficar muitos anos no mesmo cargo, fazendo as mesmas coisas, para não correr o risco de ser associado a uma única tarefa, primeiro degrau para a obsolescência. Mas também é importante saber controlar a ambição e evitar sair buscando qualquer cargo de chefia correndo riscos de derrapagens e fracassos.


Muitas pessoas, por conta disso, acabam entrando muito cedo em esgotamento. Esta busca desenfreada é um processo angustiante porque as chances de se conquistar uma destas raras oportunidades dependem muito mais de avaliações subjetivas, a partir de resultados anteriores, do que das reais competências e de possibilidades futuras. As pessoas que fazem as escolhas, até mesmo os recrutadores profissionais, pelo medo de errar, preferem escolher candidatos com “mais currículo”, e acabam por criar uma verdadeira ditadura de padrões pré-estabelecidos de requisitos.


É preciso modificar este paradigma de fazer carreira. Ele apenas cria angústia nos mais jovens e desespero nos mais velhos. Será que alçar voos mais altos é o único caminho para a realização profissional? Seguramente, não. O que existe é uma confusão entre um objetivo e os meios para consegui-lo. Este é o problema mais grave. Subir na carreira não pode ser seu objetivo.


Carreira é apenas um meio, um caminho para chegar ao seu destino, ao que você define como sucesso. Os profissionais bem-sucedidos, aqueles que acham que conquistaram o que queriam da vida, valeram-se de outros critérios e diferenciais. A razão do sucesso deles foi ter muito clara sua razão para trabalhar, sua causa, um propósito, o significado de seu trabalho, e, a partir disso, estabelecer seu projeto de vida, coerente com suas características pessoais, seus dons naturais.


É fundamental definir o porquê se trabalha, qual a real contribuição do resultado de seu trabalho, o seu propósito. Trabalho é muito mais que a expiação de culpa pelo pecado original, o castigo divino pela perda do paraíso. Um dos primeiros estudos sobre a contribuição do ‘trabalho’, foi realizado por Marie Jahoda, que realizou dois estudos, em quase cinquenta anos de intervalo.


Desta confrontação Marie Jahoda relevou as funções notáveis que sublinham o sentido do trabalho em resposta a necessidades humanas. Segundo a pesquisa dela, as pessoas declaram que o ato de trabalhar é muito mais que uma relação econômica. Sendo muito mais que uma troca entre disponibilidade e necessidade, o trabalho garante a estruturação dos tempos da vida cotidiana, fornecendo pontos de referência e permitindo atividades regulares, habituais e repetitivas, que ajudam a desenvolver a autoestima.


Enfim, o trabalho permite oportunidades de interações sociais, despertando o sentimento de ser útil à sociedade, transcendendo as preocupações pessoais. O trabalho alimenta o sentido de identidade, da imagem e da autoestima. Trabalho é fundamental, qualquer que seja ele.


Como você demostra gostar da empresa e, sobretudo, do trabalho que faz, vale mais a pena ficar e tentar conquistar a confiança das suas chefias do que sair para buscar por novas oportunidades nas quais você passará pelos mesmos processos de avaliação, também com critérios desconhecidos, mas, só que agora, com pessoas que não lhe conhecem.


Gilberto Guimarães

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