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Coluna no foco do Farol


Futuro planejado: o fim da aposentadoria tradicional

Por Gilberto Guimarães


“Você planeja viver até os 75 anos e algo inesperado acontece: você vive até os 90.”

(Nationwide Anglia, Companhia de Seguros)


Pergunta: estou sendo aposentado, mas acho que ainda tenho muita lenha para queimar... O que faço? (Alcides Álvares de Azevedo, Campinas/SP)


Até há bem pouco tempo, aposentar-se era tabu. Era o fim. A própria sociedade criou o estigma de que aposentado é inútil. No começo, é até possível que as pessoas imaginem aproveitar o tempo livre como se estivessem em férias. No entanto, depois de algum tempo, são comuns os quadros de angústia, nervosismo e sensação de improdutividade. Entre as pessoas que se aposentam sem a preparação adequada, os índices de separação, depressão e tendência à solidão são muito mais altos. É compreensível, portanto, que um profissional, ao perder seu trabalho ao se aposentar, passe por fases psicológicas não habituais, de uma procura de si, de somatizações importantes ou de inibições, bloqueando o indivíduo durante meses ou até anos. O fato de sentir-se inútil e improdutivo pode até, muitas vezes, antecipar a morte.

O ato de trabalhar está ligado à necessidade humana de realização e sua interrupção, ou sua impossibilidade, pode desencadear sentimentos de culpa, incompetência, impotência e fracasso. A falta de trabalho é a maior causa de exclusão social. A perda ou a inexistência de trabalho/emprego, não importando as causas (demissão ou aposentadoria), provoca uma sensação de falta e de ruptura. É uma ruptura com as relações estabelecidas com o emprego e com a vida fora do trabalho, o que pode provocar uma inevitável perda de sentido e, acima de tudo, uma perda de identidade. Essa ruptura pode ser vivida de maneira traumática, com um sentimento de que uma parte de si próprio e da própria história tivesse desaparecido, eliminando, dessa maneira, toda esperança de um futuro. Isso continua apavorando a grande maioria dos profissionais com possibilidade de se aposentar.

Contudo, isso começa a mudar nos dias atuais. A população mundial está ficando cada vez mais velha, mas mais saudável e ativa. Pesquisas mostram que a tendência é que mais de 20% da população esteja acima dos 50 nos próximos anos. Em consequência, os sistemas de aposentadoria do Governo, criados a partir de 1870 por Bismarck para a Alemanha unificada, estão todos, hoje, completamente falidos. A aposentadoria tradicional está com os dias contados.

Naquela época, mais de 100 anos atrás, a expectativa de vida média das pessoas era inferior a 50 anos. Hoje, até no Brasil, segundo pesquisas recentes do IBGE, as pessoas vivem, em média, mais de 75 anos. Isso significa que alguém que se aposenta aos 55 anos, depois de 30 ou 35 anos de carreira, ainda terá mais 20 anos de vida útil e saudável, com totais condições e possibilidades de trabalhar.

Essa segunda carreira poderá ser quase tão longa quanto a primeira e, portanto, precisa ser melhor planejada e refletida. É a hora de escolher e, finalmente, poder fazer aquilo que sempre se quis fazer. A regra agora é continuar trabalhando, não só por razões financeiras, mas também por questões de realização pessoal.

Nessa nova fase, o importante não é mais o ganho financeiro, mas o sentir-se útil, ocupar-se, ser desafiado intelectualmente. No momento em que inicia a segunda carreira, o profissional, normalmente, está de volta à fase de precisar de menos dinheiro, porque já que não tem uma família grande para sustentar, escolas para pagar etc., pode começar, finalmente, a trabalhar por prazer. Nesse novo contexto, a aposentadoria pode se transformar no momento certo para colocar em prática os sonhos antigos, dedicar-se a trabalhar em atividades que tragam prazer, qualidade de vida e reconhecimento, muito mais do que as moedas clássicas: dinheiro, poder e status. É comum essas pessoas abrirem seu próprio negócio, trabalharem como consultores, ‘coachers’ e professores.

O importante é estar sempre atento às inovações sociais e tecnológicas, além de acompanhar a evolução do mercado para poder continuar fazendo parte dele. É preciso planejar a carreira o tempo todo, a qualquer idade, em qualquer nível hierárquico. Quem não planeja é sempre surpreendido e, quem estiver atualizado, sempre terá espaço no mercado de trabalho, seja qual for a idade.

O processo de busca de novas oportunidades de trabalho e renda é ‘complexo’, mas, simplificando, podemos ressaltar alguns passos para o sucesso de uma segunda carreira profissional. Antes de mais nada, é importante ter um apoio, um conselheiro especialista, para fazer um acompanhamento e para prospectar ativamente o mercado, mapeando oportunidades de trabalho com dinamismo, organização e planejamento. É preciso estabelecer um objetivo de maneira clara e detalhada, como se fosse um projeto de vida. Quem não define para onde quer ir, tanto faz que caminho pegar.

Faça um balanço de suas competências. Descubra o que gosta, suas motivações, sua capacidade de resolver problemas.

É importante, também, desenvolver a capacidade de superar as dificuldades comportamentais, a pouca “disponibilidade”, a baixa estimulação, os medos e os sentimentos de perda e de fracasso. E lembrar sempre que a carreira é apenas um veículo, e não o ‘destino’. E que este veículo deve ser adaptado a duas coisas: ao objetivo pessoal, ou seja, o que se quer ter, ser e fazer, e a dois conceitos básicos: aquilo que se gosta de fazer e aquilo que se sabe fazer, ou seja, as preferências e as competências.

Com base nessas chaves, estabeleça um novo projeto profissional. Afinal de contas, como já dizia meu avô: ‘ter sucesso é poder fazer o que mais se gosta de fazer... Sendo pago por isto!’


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